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http://repositorio.ufgd.edu.br/jspui/handle/prefix/6834| Tipo: | Dissertação |
| Título: | Efeitos das flutuações térmicas diárias na germinação de sementes de três espécies de Myrteae (Myrtaceae) em um cenário de aquecimento global |
| Autor(es): | Nascimento, Juliana Aljahara Sousa do |
| Primeiro Orientador: | Oliveira , Augusto Giaretta de |
| metadata.dc.contributor.advisor-co1: | Monteiro , Mariana Maciel |
| metadata.dc.contributor.referee1: | Tuler, Amelia Carlos |
| metadata.dc.contributor.referee2: | Andrade, Luis Felipe Daibes de |
| Resumo: | Os efeitos das mudanças climáticas na biodiversidade estão sendo atualmente documentados, mas os impactos das oscilações microclimáticas (e.g., flutuações térmicas diárias no solo) na germinação de sementes ainda são pouco compreendidos. A flutuação térmica assimétrica, marcada pelo aumento da temperatura mínima diária e redução da amplitude térmica, tem sido negligenciada em modelagens e experimentos. Investigar esses efeitos em grupos amplamente distribuídos e ecologicamente representativos, como Myrtaceae, é essencial para compreender sua resposta às mudanças ambientais. Este estudo visa investigar a porcentagem e velocidade de germinação de sementes de Eugenia uniflora L., Myrcia sp., e Psidium guajava L., além da morfologia e anatomia das estruturas vegetativas das plântulas em desenvolvimento, em condições de oscilações diárias simétricas e assimétricas de temperatura. As sementes das espécies estudadas foram submetidas a câmaras de crescimento com fotoperíodo de 12 horas, divididos em condição simétrica e assimétrica, com três tratamentos cada. Na fase simétrica, a temperatura inicial (TS1) foi de 20ºC (dia)/25ºC (noite), aumentando 5°C gradualmente nos tratamentos (TS2) e (TS3). Na fase assimétrica, a temperatura inicial (TA1) foi de 22ºC (dia)/31ºC (noite), com aumento gradual de 6ºC e 3ºC, respectivamente, nos tratamentos (TA2) e (TA3). Sementes que não germinaram foram submetidas ao teste de tetrazólio para avaliar a viabilidade. Foram selecionados 10 indivíduos de cada tratamento para análises biométricas e anatômicas. As medidas biométricas incluíram o comprimento da raiz e do caule, largura e comprimento da terceira folha totalmente desenvolvida. Para as análises anatômicas, amostras de folhas, caules e raízes foram fixadas em FAA 50 e armazenadas em etanol 70%. Foram mensuradas a espessura da epiderme adaxial e abaxial, do mesofilo foliar, hipoderme e córtex do caule e da raiz. Todos os dados obtidos foram submetidos à análise de variância (ANOVA) e, quando significativos, ao teste de Tukey para comparação de médias. Eugenia uniflora demonstrou alta plasticidade térmica, com elevada porcentagem de germinação e desenvolvimento saudável das plântulas em temperaturas mais altas e amplitudes térmicas menores, indicando maior tolerância a cenários de aquecimento global. Essa capacidade pode estar relacionada à maior quantidade de reservas cotiledonares reportada para espécies de Eugenia L., que potencialmente favorece sua adaptação a ambientes variáveis. Myrcia sp. exibiu altas taxas de germinação em diferentes condições térmicas, mas o desenvolvimento das plântulas foi comprometido por necrose tecidual, possivelmente devido ao estresse térmico. Em contraste, Psidium guajava apresentou menor porcentagem de germinação em condições assimétricas, mas alta viabilidade das sementes, indicando um possível mecanismo de dormência como estratégia adaptativa para favorecer a germinação em condições adequadas e evitar o desenvolvimento em ambientes desfavoráveis. Tais diferenças sugerem mudanças potenciais na dinâmica de coexistência entre espécies e em suas interações ecológicas, como com dispersores e predadores, em cenários futuros de mudanças climáticas. As espécies estudadas apresentaram respostas adaptativas distintas às oscilações térmicas. Psidium guajava adotou uma estratégia de resistência estrutural, com germinação reduzida, mas desenvolvimento vigoroso. Myrcia sp. exibiu alta germinação, porém com desenvolvimento comprometido por necrose nas plântulas. Eugenia uniflora demonstrou maior plasticidade, germinando e se desenvolvendo bem em diferentes temperaturas, com adaptações anatômicas que otimizam o uso de recursos. A variação foliar e o aumento dos tecidos radiculares em Eugenia uniflora e Psidium guajava sugere estratégias complementares para absorção de recursos e resiliência ambiental. Esses achados contribuem para a compreensão das estratégias ecológicas e fisiológicas de espécies tropicais frente às variações térmicas a curto prazo. |
| Abstract: | The effects of climate change on biodiversity are currently being documented, but the impacts of microclimatic fluctuations (e.g., daily thermal variations in the soil) on seed germination remain poorly understood. Asymmetric thermal fluctuation, characterized by an increase in the daily minimum temperature and a reduction in thermal amplitude, has been neglected in modeling and experiments. Investigating these effects in widely distributed and ecologically representative groups, such as Myrtaceae, is essential to understanding their response to environmental changes. This study aims to investigate the germination percentage and speed of seeds from Eugenia uniflora L., Myrcia sp., and Psidium guajava L., as well as the morphology and anatomy of the vegetative structures of developing seedlings under conditions of symmetric and asymmetric daily temperature fluctuations. The seeds of the studied species were subjected to growth chambers with a 12-hour photoperiod, divided into symmetric and asymmetric conditions, with three treatments each. In the symmetric phase, the initial temperature (TS1) was 20°C (day)/25°C (night), increasing by 5°C gradually in treatments (TS2) and (TS3). In the asymmetric phase, the initial temperature (TA1) was 22°C (day)/31°C (night), with a gradual increase of 6°C and 3°C, respectively, in treatments (TA2) and (TA3). Seeds that did not germinate were subjected to the tetrazolium test to assess viability. Ten individuals from each treatment were selected for biometric and anatomical analyses. Biometric measurements included root and stem length, as well as the width and length of the third fully developed leaf. For anatomical analyses, samples of leaves, stems, and roots were fixed in FAA 50 and stored in 70% ethanol. The thickness of the adaxial and abaxial epidermis, leaf mesophyll, stem hypodermis, and root cortex were measured. All data obtained were subjected to analysis of variance (ANOVA), and when significant, the Tukey test was applied for mean comparison. Eugenia uniflora demonstrated high thermal plasticity, with a high germination percentage and healthy seedling development at higher temperatures and smaller thermal amplitudes, indicating greater tolerance to global warming scenarios. This capacity may be related to the greater amount of cotyledonary reserves reported for Eugenia L. species, which potentially favors their adaptation to variable environments. Myrcia sp. exhibited high germination rates under different thermal conditions, but seedling development was compromised by tissue necrosis, possibly due to thermal stress. In contrast, Psidium guajava showed lower germination percentages under asymmetric conditions but high seed viability, suggesting a possible dormancy mechanism as an adaptive strategy to favor germination under suitable conditions and avoid development in unfavorable environments. These differences suggest potential changes in species coexistence dynamics and their ecological interactions, such as with dispersers and predators, in future climate change scenarios. The studied species exhibited distinct adaptive responses to thermal fluctuations. Psidium guajava adopted a structural resistance strategy, with reduced germination but vigorous development. Myrcia sp. showed high germination but compromised development due to seedling necrosis. Eugenia uniflora demonstrated greater plasticity, germinating and developing well under different temperatures, with anatomical adaptations that optimize resource use. The foliar variation and increased root tissues in Eugenia uniflora and Psidium guajava suggest complementary strategies for resource absorption and environmental resilience. These findings contribute to the understanding of the ecological and physiological strategies of tropical species in response to short-term thermal variations. |
| Palavras-chave: | Myrteae Climate change Oscilações térmicas Myrteae Mudanças climáticas Thermal oscillations |
| CNPq: | CNPQ::CIENCIAS BIOLOGICAS |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Editor: | Universidade Federal da Grande Dourados |
| Sigla da Instituição: | UFGD |
| metadata.dc.publisher.department: | Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais |
| metadata.dc.publisher.program: | Programa de pós-graduação em Biodiversidade e Meio Ambiente |
| Citação: | NASCIMENTO, J. A. S. Efeitos das flutuações térmicas diárias na germinação de sementes de três espécies de Myrteae (Myrtaceae) em um cenário de aquecimento global. 2025. 63 f. Dissertação (Mestrado em Biodiversidade e Meio Ambiente) – Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais, Universidade Federal da Grande Dourados, Dourados, MS, 2025. |
| Tipo de Acesso: | Acesso Aberto |
| URI: | http://repositorio.ufgd.edu.br/jspui/handle/prefix/6834 |
| Data do documento: | 17-Fev-2025 |
| Aparece nas coleções: | Mestrado em Biodiversidade e Meio Ambiente |
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