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http://repositorio.ufgd.edu.br/jspui/handle/prefix/6900| Tipo: | Dissertação |
| Título: | A máscara do poder: um estudo sobre o discurso de Stephen em Django Livre |
| Autor(es): | Oliveira, Jhonatans Adriano |
| Primeiro Orientador: | Góis, Marcos Lúcio de Sousa |
| metadata.dc.contributor.referee1: | Stafuzza, Grenissa Bonvino |
| metadata.dc.contributor.referee2: | Figueiredo, Alexandra Aparecida de Araújo |
| metadata.dc.contributor.referee3: | Gonçalves, Adair Vieira |
| metadata.dc.contributor.referee4: | Nozu, Washington Cesar Shoiti |
| Resumo: | Este trabalho investigou o cinema como prática discursiva e tecnologia de poder, tomando o filme Django Unchained (2012), de Quentin Tarantino, especificamente o discurso de Stephen (interpretado por Samuel L. Jackson), como objeto de análise a partir da perspectiva foucaultiana da Análise do Discurso. O objetivo geral da pesquisa foi analisar o poder e suas descentralidades produzidos pelas práticas discursivas do personagem Stephen, capataz negro da fazenda Candyland, observando como sua subjetividade é construída de modo a legitimar a manutenção do sistema escravocrata. Entre os objetivos específicos, destacam-se: identificar os recursos linguísticos e retóricos empregados pelo personagem; compreender como seu discurso colabora para a hierarquia racial representada; examinar a articulação entre sujeito, discurso e poder; e relacionar tais práticas discursivas com a crítica foucaultiana às formações discursivas. A metodologia adotada foi qualitativa e interpretativa, de orientação arqueogenealógica, fundamentada nos conceitos de sujeito, discurso e poder desenvolvidos por fundamentada na perspectiva discursiva de Foucault (2008, 2013), a pesquisa estabelece diálogo com autoras e autores como Hall (2003), hooks (1992), Carneiro (2023), Mbembe (2018) e Mills (1997)..O percurso metodológico envolveu três etapas principais: a análise fílmica de Django Unchained e a leitura crítica de seu roteiro, destacando falas, gestos e contextos de enunciação de Stephen; o levantamento bibliográfico sobre sujeito, discurso, racismo e representação; e a categorização das estratégias discursivas observadas, considerando recursos linguísticos, efeitos de sentido e relações de poder atualizadas na narrativa. O estudo permitiu inferir que Stephen é construído como um sujeito paradoxal: embora negro e formalmente subordinado, exerce autoridade disciplinar sobre outros escravizados, internalizando e reproduzindo os códigos da supremacia branca. Contudo, a análise evidenciou que, apesar de administrar, vigiar e articular o funcionamento do sistema escravocrata, ele não detém o poder soberano da violência, que permanece concentrado nas mãos dos sujeitos brancos. Sua posição revela, portanto, a ambivalência de uma subjetividade atravessada pela cisão colonial: ao mesmo tempo em que adere discursivamente à ordem dominante, sua autoridade é delegada e condicionada, evidenciando que o poder decisório e a capacidade de exercer violência permanecem estruturalmente racializados, pois Stephen é um símbolo da violência. As análises mostraram que sua linguagem combina deferência e vigilância, mobilizando argumentos que legitimam sua lealdade ao senhor e sua hostilidade aos de sua própria raça. Essa performance discursiva ilustra as tecnologias de sujeição descritas por Foucault e o dispositivo de racialidade apontado por Sueli Carneiro: práticas de poder que capturam o corpo negro e o funcionalizam para a manutenção da ordem colonial. Como resultados, a pesquisa demonstrou que o cinema, ao representar personagens como Stephen, não apenas revisita o passado escravocrata, mas reinscreve discursos raciais contemporâneos, evidenciando como a colaboração e a hierarquia racial são produzidas no interior de estruturas em que o poder permanece branco. Conclui-se que o discurso fílmico de Stephen opera como síntese das contradições coloniais: ele é simultaneamente produto da violência estrutural e operador de sua reprodução, ainda que não seja seu agente soberano. Assim, a análise reforça a importância de compreender o cinema como campo político-discursivo no qual se disputam sentidos, subjetividades e regimes de verdade sobre raça e poder. |
| Abstract: | This study investigates cinema as a discursive practice and a technology of power, focusing on the film Django Unchained (2012), directed by Quentin Tarantino. Specifically, it analyzes the discourse of Stephen (portrayed by Samuel L. Jackson) through the lens of Foucault’s Discourse Analysis. The primary objective is to analyze power and its decentralities as produced by the discursive practices of Stephen, the Black house-slave and foreman of the Candyland plantation, observing how his subjectivity is constructed to legitimize the maintenance of the slave system. The specific objectives include: identifying the linguistic and rhetorical resources employed by the character; understanding how his discourse contributes to the represented racial hierarchy; examining the articulation between subject, discourse, and power; and relating these discursive practices to Foucault's critique of discursive formations. The methodology is qualitative and interpretative, with an archeo-genealogical orientation based on the concepts of subject, discourse, and power developed by Foucault (2008, 2013). The research also engages with authors such as Hall (2003), hooks (1992), Carneiro (2023), Mbembe (2018), and Mills (1997). The methodological path involved three main stages: a filmic analysis of Django Unchained and a critical reading of its script, highlighting Stephen's lines, gestures, and contexts of enunciation; a bibliographic survey on subject, discourse, racism, and representation; and the categorization of observed discursive strategies, considering linguistic resources, effects of meaning, and power relations updated within the narrative. The study allows for the inference that Stephen is constructed as a paradoxical subject: although Black and formally subordinated, he exercises disciplinary authority over other enslaved people, internalizing and reproducing the codes of white supremacy. However, the analysis highlights that despite managing, monitoring, and articulating the functioning of the slave system, he does not hold the sovereign power of violence, which remains concentrated in the hands of white subjects. His position reveals the ambivalence of a subjectivity crossed by the colonial split: while discursively adhering to the dominant order, his authority is delegated and conditional, proving that decision-making power and the capacity to exercise violence remain structurally racialized. The analysis shows that his language combines deference and surveillance, mobilizing arguments that legitimize his loyalty to the master and his hostility toward his own race. This discursive performance illustrates the technologies of subjection described by Foucault and the device of raciality pointed out by Sueli Carneiro: power practices that capture the Black body and functionalize it for the maintenance of the colonial order. As a result, the research demonstrates that cinema, by representing characters like Stephen, not only revisits the slave past but also reinscribes contemporary racial discourses, showing how collaboration and racial hierarchy are produced within structures where power remains white. It is concluded that Stephen's filmic discourse operates as a synthesis of colonial contradictions: he is simultaneously a product of structural violence and an operator of its reproduction, even if he is not its sovereign agent. Thus, the analysis reinforces the importance of understanding cinema as a political-discursive field in which meanings, subjectivities, and regimes of truth about race and power are contested. |
| Palavras-chave: | Análise do Discurso Discourse Analysis Sujeito Subject poder Power |
| CNPq: | CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Editor: | Universidade Federal da Grande Dourados |
| Sigla da Instituição: | UFGD |
| metadata.dc.publisher.department: | Faculdade de Comunicação, Artes e Letras |
| metadata.dc.publisher.program: | Programa de pós-graduação em Letras |
| Citação: | OLIVEIRA, Jhonatans Adriano. A máscara do poder: um estudo sobre o discurso de Stephen em Django Livre. 2026. 100 f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Faculdade de Comunicação, Artes e Letras, Universidade Federal da Grande Dourados, Dourados, MS, 2026. |
| Tipo de Acesso: | Acesso Aberto |
| URI: | http://repositorio.ufgd.edu.br/jspui/handle/prefix/6900 |
| Data do documento: | 19-Mar-2026 |
| Aparece nas coleções: | Mestrado em Letras |
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