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Tipo: Trabalho de Conclusão de Curso
Título: Experimentação no ensino de química, transtorno do espectro autista e formação docente: um estudo de caso
Autor(es): Arnold, Diogo Gomes
Primeiro Orientador: Martinez, Isabella Guedes
metadata.dc.contributor.referee1: Pereira, Ademir de Souza
metadata.dc.contributor.referee2: Santos, Elias Batista dos
Resumo: Este estudo analisa a configuração subjetiva da prática experimental no ensino de Química sob a perspectiva de um acadêmico de Licenciatura em Química, buscando compreender como se constituem os sentidos subjetivos que orientam sua relação com a experimentação em um contexto de escola inclusiva. Fundamentada na Teoria da Subjetividade de González Rey (2005, 2017), a pesquisa parte da concepção de que o desenvolvimento humano é um processo singular, histórico e simbólico, em que o sujeito produz sentidos subjetivos nas interações sociais e nas experiências afetivo-cognitivas que constrói. Essa abordagem rompe com paradigmas tradicionais e behavioristas ainda presentes no ensino de Química, que privilegiam o rigor matemático e a reprodução de protocolos experimentais, negligenciando a construção de significados, a criatividade e o pensamento crítico-reflexivo dos estudantes. Nesse horizonte, a inclusão escolar é compreendida não como mera adequação curricular ou presença física de estudantes com necessidades específicas, mas como o reconhecimento da subjetividade única de cada aprendiz. Especificamente, o estudo problematiza o desafio de planejar e desenvolver atividades experimentais voltadas a estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), concebendo o autismo não como déficit ou limitação, mas como uma forma legítima, diversa e complexa de perceber e significar o mundo. Essa perspectiva ressignifica o papel do professor em formação, convidando-o a revisitar seus próprios sentidos subjetivos sobre ensinar e incluir por meio da experimentação. Do ponto de vista metodológico, a pesquisa adotou a abordagem qualitativa, configurando-se como um estudo de caso construtivo-interpretativo. Foram utilizados instrumentos escritos (Completamento de Frases (CF), Carta (CR), Poesia (PS)); e não escritos (Desenho da Sala de Aula Ideal (DS), Desenho do Laboratório Ideal (DL), História de Vida (HA)) que favoreceram a emergência dos sentidos subjetivos do participante. Como estratégia de sistematização analítica, elaborou-se um quadro-resumo do processo construtivo-interpretativo da Configuração Subjetiva da Prática Experimental em Aulas de Química, que sintetiza, em quatro eixos interpretativos, as articulações entre o percurso formativo, as experiências laboratoriais e a relação subjetiva do acadêmico com a inclusão. Esse quadro constituiu-se como um recurso metodológico inovador, permitindo visualizar os movimentos dialéticos entre o saber químico, o fazer pedagógico e o sentir docente. Argumenta-se que o laboratório de Química, entendido como espaço de investigação concreta e produção simbólico-emocional, pode configurar-se como um ambiente privilegiado de inclusão e humanização da aprendizagem científica. A experimentação, nesse contexto, transcende o caráter técnico e ganha uma dimensão ética e formativa, abrindo caminhos para a produção de sentidos subjetivos profundos acerca dos fenômenos químicos e da própria docência. Assim, o estudo contribui para o avanço das discussões sobre a formação inicial de professores de Química, propondo uma visão mais complexa, sensível e ética da inclusão no ensino de Ciências, sustentada pela dialogicidade, pela criatividade e pela valorização da subjetividade na prática educativa.
Abstract: This study analyzes the subjective configuration of experimental practice in Chemistry teaching from the perspective of a Chemistry undergraduate student, seeking to understand how the subjective meanings that guide their relationship with experimentation are constituted in an inclusive school context. Based on González Rey's Theory of Subjectivity (2005, 2017), the research starts from the conception that human development is a singular, historical, and symbolic process, in which the subject produces subjective meanings in social interactions and in the affective-cognitive experiences they construct. This approach breaks with traditional and behaviorist paradigms still present in Chemistry teaching, which privilege mathematical rigor and the reproduction of experimental protocols, neglecting the construction of meanings, creativity, and critical-reflective thinking of students. Within this framework, school inclusion is understood not as mere curricular adaptation or the physical presence of students with specific needs, but as the recognition of the unique subjectivity of each learner. Specifically, this study addresses the challenge of planning and developing experimental activities aimed at students with Autism Spectrum Disorder (ASD), conceiving autism not as a deficit or limitation, but as a legitimate, diverse, and complex way of perceiving and making sense of the world. This perspective redefines the role of the pre-service teacher, inviting them to revisit their own subjective meanings about teaching and inclusion through experimentation. From a methodological point of view, the research adopted a qualitative approach, configuring itself as a constructive-interpretative case study. Written instruments (Sentence Completion (SC), Letter (LC), Poetry (P)) and non-written instruments (Drawing of the Ideal Classroom (DS), Drawing of the Ideal Laboratory (DL), Life Story (LS)) were used, which favored the emergence of the participant's subjective meanings. As a strategy for analytical systematization, a summary table of the constructive-interpretative process of the Subjective Configuration of Experimental Practice in Chemistry Classes was developed. This table synthesizes, in four interpretative axes, the articulations between the formative path, laboratory experiences, and the subjective relationship of the academic with inclusion. This table constituted an innovative methodological resource, allowing the visualization of the dialectical movements between chemical knowledge, pedagogical practice, and the teacher's feelings. It is argued that the Chemistry laboratory, understood as a space for concrete investigation and symbolic-emotional production, can be configured as a privileged environment for inclusion and humanization of scientific learning. Experimentation, in this context, transcends its technical character and gains an ethical and formative dimension, opening paths for the production of profound subjective meanings about chemical phenomena and teaching itself. Thus, this study contributes to advancing discussions on the initial training of Chemistry teachers, proposing a more complex, sensitive, and ethical view of inclusion in Science education, supported by dialogue, creativity, and the valuing of subjectivity in educational practice.
Palavras-chave: Ensino de Química
Chemistry Teaching
Experimentação
Experimentation
Subjetividade
Subjectivity
CNPq: CNPQ::CIENCIAS EXATAS E DA TERRA::QUIMICA
Idioma: por
País: Brasil
Editor: Universidade Federal da Grande Dourados
Sigla da Instituição: UFGD
metadata.dc.publisher.department: Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia
Citação: ARNOLD, G. Diogo. Experimentação no ensino de química, transtorno do espectro autista e formação docente: um estudo de caso. 2025. 29 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Química) – Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia, Universidade Federal da Grande Dourados, Dourados, MS, 2025.
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
URI: http://repositorio.ufgd.edu.br/jspui/handle/prefix/7159
Data do documento: 5-Nov-2025
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