Use este identificador para citar ou linkar para este item:
http://repositorio.ufgd.edu.br/jspui/handle/prefix/7014| Tipo: | Dissertação |
| Título: | Interpretação e imaginário: uma análise da ficção de tribunal na recepção crítica de Dom Casmurro, a partir de Blanchot |
| Autor(es): | Lima , Murilo Aparecido Lorençoni |
| Primeiro Orientador: | Suttana , Renato Nésio |
| metadata.dc.contributor.referee1: | Dantas, Gregório Foganholi |
| metadata.dc.contributor.referee2: | Teixeira, Níncia Cecília Ribas Borges |
| Resumo: | A presente dissertação investiga os modos como Dom Casmurro (1899) foi lido e relido como uma “ficção de tribunal” ao longo de sua recepção crítica. Sustenta-se aqui que a ambiguidade duradoura do romance decorre do pacto entre forma narrativa e o imaginário literário, conforme teorizado por Maurice Blanchot. O estudo tem três objetivos: (i) mapear a recepção anterior a 1960 que consolidou a culpa de Capitu como dogma; (ii) analisar a ruptura inaugurada por Helen Caldwell, que desloca a suspeita para o narrador Bentinho e reabre o “caso”; e (iii) articular essa virada com conceitos blanchotianos de imagem, vazio e presença da ausência, conectando-os à leitura machadiana recente (especialmente a “poética da emulação”, proposta por João Cezar de Castro Rocha). Como método, combina-se história da recepção (levantamento e discussão de críticas centrais), leitura atenta de episódios-chave associados ao léxico judiciário e o enquadramento teórico em Blanchot, com apoio em categorias retóricas e na tríade interpretatio–imitatio–aemulatio. Os resultados identificam três fases: (i) uma etapa inicial (até 1960) que pressupõe Capitu culpada e Bentinho fidedigno; (ii) a inflexão caldwelliana que problematiza a confiabilidade do narrador e reconfigura a narrativa como peça de acusação; e a (iii) consolidação contemporânea da ambiguidade, em que o romance passa a operar como tribunal sem veredicto, sustentado pela lógica do imaginário e do vazio. Conclui-se que Dom Casmurro mantém sua vitalidade justamente por convocar o leitor ao papel de jurado, ou seja, a forma encena um julgamento interminável cuja força estética e histórica está no que não se resolve. Busca-se assim contribuir para os estudos machadianos e para o debate sobre imagem, ausência e recepção literária. |
| Abstract: | This dissertation examines how the Brazilian classic Dom Casmurro (1899) came to be read as a kind of “courtroom fiction” and argues that the novel’s enduring ambiguity emerges from the pact between narrative form and the literary imaginary theorized by Maurice Blanchot. The objective is threefold: (i) to map the pre-1960 critical reception that consolidated Capitu’s alleged adultery as dogma; (ii) to analyze the rupture inaugurated by Helen Caldwell’s 1960 study, which repositions Bentinho as an unreliable narrator and reopens the case for Capitu’s innocence; and (iii) to relate this reception shift to Blanchot’s concepts of image, void, and the “death of the author,” proposing that the novel sustains itself in the space of absence that the reader necessarily fills. Methodologically, the research combines reception history, close reading of key chapters with “judicial” rhetoric, and a theoretical framework anchored in Blanchot to articulate how image (as presence of absence) structures both the text and its criticism. The results identify a tripartite trajectory: an initial phase that treats Capitu as definitively guilty and Bentinho as trustworthy; a caldwellian turn that turns suspicion upon the narrator and reframes the book as an argumentative plea and a subsequent consolidation of ambiguity as a scholarly norm linked to Blanchot’s imaginary/void. The conclusion is that Dom Casmurro persists not by resolving the “case,” but by staging an inexhaustible space where form invites judgment without delivering verdict, it means that the novel’s vitality arises from its constitutive void, which converts readers into jurors and transforms the fortune of the work into a history of interpretive oscillation with the thereby contributing both to Machado studies and to debates on literature’s relation to image, absence, and reception. |
| Palavras-chave: | Ficção de tribunal Courtroom fiction Literatura Literature Cultura e Fronteiras do Saber Culture |
| CNPq: | CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Editor: | Universidade Federal da Grande Dourados |
| Sigla da Instituição: | UFGD |
| metadata.dc.publisher.department: | Faculdade de Comunicação, Artes e Letras |
| metadata.dc.publisher.program: | Programa de pós-graduação em Letras |
| Citação: | LIMA, Murilo A. L. Interpretação e imaginário: uma análise da ficção de tribunal na recepção crítica de Dom Casmurro, a partir de Blanchot. 2026. 96 f. Dissertação (Mestrado em Letras) - Faculdade de Comunicação, Artes e Letras, Universidade Federal da Grande Dourados, Dourados, MS, 2026. |
| Tipo de Acesso: | Acesso Aberto |
| URI: | http://repositorio.ufgd.edu.br/jspui/handle/prefix/7014 |
| Data do documento: | 17-Mar-2026 |
| Aparece nas coleções: | Mestrado em Letras |
Arquivos associados a este item:
| Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
|---|---|---|---|---|
| MuriloAparecidoLorençoniLima.pdf | 805,18 kB | Adobe PDF | Visualizar/Abrir |
Os itens no repositório estão protegidos por copyright, com todos os direitos reservados, salvo quando é indicado o contrário.